Cinco exemplos que podem ajudar empresários a aprimorarem suas performances profissionais (e que podem fazer a diferença na Corporate Surf Series também!)

Observe os outros surfistas

Guias de ondas, mapas topográficos, cartas meteorológicas, serviços de previsão… Quando se trata de compreender um novo surf break, a melhor maneira de obter uma vaga é observar os outros surfistas.

Deixe-se ficar na praia e veja onde as ondas estão a ser apanhadas e como as secções se sucedem. Observe onde os surfistas estão a acelerar, a atrasar ou afazer manobras mais arrojadas. A familiaridade com um dado surf spot pode significar a diferença entre a vida e a morte, entre o sucesso ou o fracasso.

Naturalmente, algumas ondas não são surfáveis ​​na maré vazia, por ficarem muito rasas, enquanto outras possuem zonas de águas profundas (canais) que mantêm o surfista em segurança e reduzem o esforço despendido.

Da mesma forma, no marketing ou no lançamento de um novo produto, a pesquisa e compreensão do mercado são essenciais. O tempo de observação do line-up pode alicerçar ou demolir o seu negócio. É o tipo de conhecimento que requer diligência e astúcia.

Enfrente os desafios

Quando escolhe o sítio onde apanhar as ondas, um surfista tem sempre duas opções: arrancar no pico, a zona mais cavada, onde o aumento do risco é acompanhado por um proporcional incremento na recompensa; ou deixar ficar-se pela lateral, no ombro da onda, onde em troca de maior segurança e facilidade, hipoteca-se a credibilidade entre os demais surfistas e parte do potencial da onda. Uma onda a aproximar-se pode ser uma visão intimidante.

Você está no sítio certo e todos observam os seus movimentos. O que irá fazer? Encolher-se e deixar passar a oportunidade ou assumir o seu dever e fazer-se ao drop com determinação e compromisso?

O mundo do empreendedorismo exige o comprometimento. Nada de remar por cima dos sets e evitar as melhores ondas que, de modo geral, são as mais arriscadas. Deixar passar as oportunidades, quando elas surgem, nas ondas ou nos negócios, nunca é uma boa estratégia. No surf, como nos negócios, a escolha é entre ser protagonista ou espectador.

Seja socialmente consciente

Vamos por isto de maneira simples e direta: no mundo atual, um negócio simplesmente não se pode dar ao luxo de não apresentar um determinado índice de responsabilidade social. Seja por uma questão de imagem pública, seja por um autêntico sentido de obrigação para com o mundo e a sociedade, qualquer negócio que se preze tem de considerar os impactos das suas ações no ambiente.

Há muito por onde escolher: da diminuição da pegada de carbono à redução da utilização de plásticos, mas uma enorme área de convergência da responsabilidade social é a utilização e preservação da água, esse elemento primordial sem o qual não haveria sequer vida, quanto mais negócios ou surf.

Não há volta a dar: a água é o nosso recurso mais precioso. Pela sua ligação direta com o mar, os surfistas têm a obrigação de assumir o papel de ativistas na sua defesa. Como em tudo, há diferentes níveis de envolvimento, mas nenhum homem ou mulher das ondas digno da sua prancha pode afirmar-se insensível ao tema.

De igual modo, um empreendedor precisa considerar o seu contrato social com a comunidade, sob pena de perder o impacto junto ao seu público-alvo.

Prepare-se para o pior

É uma realidade tão inevitável como o dia e a noite: se você está no mar para fazer surf, mais cedo ou mais tarde vai acabar por ser apanhado pelas ondas, vai levar com montanhas de espuma em cima, que o irão manter muito tempo debaixo de água, vai ser arrastado de volta para a zona de impacto ou, ainda pior, em direção às rochas, vai sofrer danos morais e/ou materiais.

No surf, o prazer implica sempre uma boa dose de sofrimento, pelo que a expressão no pain no gain (sem dor não há ganho) seja tantas vezes a grandes feitos de surfistas nas mais diversas áreas de atuação. Daí que a o treino físico e o controlo mental e emocional sejam tão importantes quanto a habilidade inata para uma carreira vitoriosa.

Existem vários índices estatísticos que demonstram como uma imensa maioria de empreendedores fracassam nas suas primeiras empreitadas. Em países de cultura empreendedora, tais derrotas são vistas com bons olhos, pois significam experiência. Tanto no surf como no mundo dos negócios, persistência e tenacidade são valores fundamentais, pois em meio à turbulência, é fácil sucumbir ao pânico e frequentemente a desistência para ser a única saída.

A perseverança que o surf exige é uma grande lição para quem tem de lidar com as fatais ondas de financiamento, metas e bloqueios criativos.

Divirta-se

Ninguém se mete no surf para competir, ganhar dinheiro, conquistar glórias, ficar em forma ou impressionar o sexo oposto. Isso são eventuais efeitos colaterais de uma atividade que no fundo tem um só objetivo: a diversão.

Seja sozinho ou na companhia de alguns amigos, estar no mar a apanhar ondas, com a adrenalina a correr pelas veias, é fonte do “mais sublime prazer”, tal como foi descrito no diário de bordo do capitão James Cook no século XVIII.

A satisfação e alegria que o surf proporciona é algo sem paralelo, atestado pelo efeito viciante que induz nos seus praticantes, que não hesitam em questionar o próprio caráter desportivo da atividade, havendo quem o prefira relacionar com meditação, bailado e outras manifestações menos objetivas.

Ora, como qualquer empresário bem-sucedido poderá atestar, grande parte do êxito no mundo dos negócios tem a ver com a capacidade do empreendedor divertir-se naquilo que faz. Mesmo com todas as contrariedades, é sempre possível encontrar uma forma de se abstrair dos problemas e concentrar-se nos momentos mágicos que acontecem quando deixamos de nos preocupar em demasia com as projeções e apreciamos aquilo que temos no momento presente.

Lembre-se das palavras do cartoonista Bill Waterson: “Estamos tão ocupados a olhar para aquilo que está adiante, que não nos damos tempo para apreciar onde nos encontramos.”

“We’re so busy watching out for what’s just ahead of us that we don’t take time to enjoy
where we are.